Experiência de trabalho: o que a lei permite exigir?
Por: Vero - 10 de Julho de 2026
Na hora de divulgar uma vaga, é comum que empresas estabeleçam requisitos relacionados à experiência profissional. Afinal, buscar candidatos preparados para exercer determinada função faz parte de um processo seletivo eficiente.
No entanto, o que muitos empregadores desconhecem é que a legislação trabalhista estabelece limites para essas exigências.
Saber o que pode ou não ser solicitado evita problemas jurídicos e torna o recrutamento mais justo e acessível.
A empresa pode exigir experiência?
Sim.
A empresa pode definir critérios técnicos compatíveis com a função, incluindo a necessidade de experiência anterior.
Dependendo do cargo, faz sentido exigir conhecimentos específicos, domínio de ferramentas, certificações ou vivência em determinadas atividades.
O importante é que essas exigências sejam proporcionais às responsabilidades da vaga e não tenham caráter discriminatório.
O que diz a legislação?
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em seu artigo 442-A, determina que:
"Para fins de contratação, o empregador não exigirá do candidato comprovação de experiência prévia por tempo superior a seis meses no mesmo tipo de atividade."
Na prática, isso significa que uma empresa não pode exigir, por exemplo, dois ou três anos de experiência na mesma função como requisito obrigatório para contratar um profissional.
Essa regra foi criada para ampliar o acesso ao mercado de trabalho e evitar barreiras excessivas para quem busca uma oportunidade.
Então a empresa não pode buscar profissionais experientes?
Pode.
A legislação não impede que a empresa prefira candidatos com maior experiência ou avalie esse aspecto durante o processo seletivo.
O que ela proíbe é transformar uma exigência superior a seis meses em requisito obrigatório para a contratação.
Por isso, é importante elaborar anúncios de vagas com critérios objetivos e compatíveis com a legislação.
Além da experiência, o que realmente faz diferença?
Hoje, muitas empresas valorizam fatores que vão além do tempo de atuação.
Entre eles:
- Capacidade de aprendizado.
- Boa comunicação.
- Trabalho em equipe.
- Organização.
- Proatividade.
- Perfil alinhado à cultura da empresa.
Em muitos casos, um profissional com menor experiência, mas com alto potencial de desenvolvimento, pode apresentar melhores resultados do que alguém com muitos anos de mercado.
Como estruturar uma vaga de forma correta?
Ao elaborar um anúncio de emprego, a empresa deve focar nas competências necessárias para a função e descrever claramente as atividades que serão desempenhadas.
Também é importante evitar critérios que possam limitar injustificadamente a participação de candidatos.
Um processo seletivo bem estruturado amplia o número de profissionais qualificados e reduz riscos trabalhistas.
O papel de uma consultoria de RH
Contar com apoio especializado ajuda a construir processos seletivos mais eficientes e alinhados à legislação.
Além de definir o perfil ideal para cada vaga, uma consultoria de RH orienta sobre boas práticas de recrutamento, reduz riscos jurídicos e aumenta as chances de encontrar profissionais realmente compatíveis com a cultura e os objetivos da empresa.
Conclusão
A experiência profissional continua sendo um fator importante na contratação, mas ela não deve ser o único critério de avaliação.
Conhecer os limites previstos na legislação e construir processos seletivos mais equilibrados permite que empresas encontrem talentos com mais assertividade, enquanto ampliam as oportunidades para profissionais que buscam crescer no mercado de trabalho.
Mais do que procurar quem já fez exatamente a mesma função, vale investir em pessoas com potencial para aprender, evoluir e gerar resultados.